Sobre mim

Sou a Sónia Cebola.
Sou mulher, filha, irmã e esposa.
Partilho a vida e a casa com o meu marido e com os nossos animais: a cadela Stuka, o gato Exu e os restantes gatos.
Juntos, cada um no seu lugar, formamos uma família multiespécie.
Sou engenheira de formação. Foi a Engenharia que me ensinou a observar o território antes de intervir.
Mas foram a vida, as minhas próprias dores e os animais que fui amando e cuidando que me levaram a procurar também aquilo que nem sempre é visível à primeira vista. Foi assim que construí um percurso profundo nas terapias naturais e integrativas.
Hoje, reúno esses dois caminhos no acompanhamento de pessoas, animais e famílias multiespécie.

A menina que queria ser veterinária
O meu caminho começou muito antes de eu saber dar-lhe um nome. Começou na menina que queria ser veterinária porque não imaginava a vida longe dos animais.
Quando chegou o momento de escolher uma profissão, deparei-me com práticas com as quais não conseguia compactuar. Afastei-me daquele sonho e a vida levou-me para a Engenharia Topográfica.
Durante algum tempo, pensei que tinha seguido noutra direção.
Mas os animais nunca ficaram para trás.
Continuaram a chegar à minha vida através dos que fizeram parte da minha família, dos resgates, dos acolhimentos, das urgências e das despedidas. Com eles, aprendi a cuidar, a observar e a escutar — mas conheci também as perdas, a impotência e o peso invisível que tantas vezes acompanha quem cuida.
Hoje, quando olho para trás, percebo que nada disso foi um desvio.
Foi preparação.
Talvez a menina que queria ser veterinária não tenha abandonado o sonho. Talvez tenha encontrado outra forma de cuidar.
A Engenharia deu-me estrutura.
Os animais deram-me escuta.
As terapias deram-me integração.
E a vida ensinou-me a olhar para os sistemas.
Aprender a conhecer o terreno
A Topografia ensinou-me uma coisa essencial: antes de intervir, é preciso conhecer o terreno. É preciso observar, localizar, compreender relações e ler as diferentes camadas antes de tirar conclusões.
Há mais de vinte anos que aplico este olhar ao território, aos processos, às equipas e às decisões que fazem parte do meu trabalho em contexto institucional.
Hoje, levo a mesma capacidade de observação para o território humano-animal. Porque numa família multiespécie também existem vínculos, lugares, limites, tensões, recursos e histórias que influenciam a forma como cada ser vive.

A Stuka e a pergunta que mudou o meu olhar
O meu caminho com os animais começou muito antes da Stuka. Mas foi com ela que tudo aquilo que eu vinha a aprender começou a ligar-se.
A Stuka foi diagnosticada com dermatite atópica severa e chegou a precisar de medicação que, à partida, seria para toda a vida.
Os cuidados veterinários foram indispensáveis. Mas havia uma pergunta que permanecia:
E se não fosse apenas uma questão de pele?
Essa pergunta levou-me a procurar um olhar mais amplo. A observar o corpo, a alimentação, o ambiente, as rotinas, o vínculo e tudo o que acontecia no território que partilhávamos.
Não procurei uma causa única nem abandonei o acompanhamento veterinário. Fui integrando diferentes formas de observar e cuidar, respeitando a Stuka como um ser inteiro — e não apenas como uma pele com sintomas.
Hoje, há dois anos que a Stuka não toma a medicação que deveria acompanhá-la durante toda a vida.
Este percurso não me deu uma fórmula nem uma resposta igual para todos os animais. Deu-me algo mais importante: a certeza de que, quando olhamos apenas para o sintoma, podemos estar a deixar de fora uma parte essencial da história.
Foi com a Stuka que este olhar ganhou forma e começou a transformar-se no trabalho que hoje desenvolvo.
“Não apenas para o sintoma. Não apenas para o comportamento. Mas para o ser inteiro.”
O meu trabalho hoje
Hoje acompanho pessoas, animais e famílias multiespécie. E nem sempre o ponto de partida é o animal.
Por vezes, quem precisa de ser escutado és tu.
Podes chegar até mim porque estás a atravessar uma mudança, um luto, um conflito ou uma dificuldade emocional. Porque há uma relação que te inquieta, um padrão que se repete ou uma parte da tua história que continua a pesar. Ou simplesmente porque sentes que alguma coisa precisa de mudar, mas ainda não consegues perceber o quê.
Nesses momentos, acompanho-te a olhar para aquilo que estás a viver, para a tua história, as tuas relações e o lugar que ocupas nelas. Sem julgamentos e sem respostas feitas, mas com profundidade, estrutura e respeito pelo teu ritmo.
Outras vezes, o ponto de partida é o animal.
Um sintoma. Uma alteração de comportamento. Uma dificuldade que se repete. Ou a sensação de que algo mudou e ainda não conseguiste compreender porquê.
Quando isso acontece, não parto do princípio de que tudo vem da família ou de que o animal está a carregar um problema humano. Parto de algo mais simples e responsável: o animal não vive isolado.
Vive num corpo, num ambiente, numa rotina, numa relação e numa história. Por isso, além dos cuidados veterinários ou comportamentais necessários, observo também o contexto em que aquilo está a acontecer e o que pode estar a pedir mais atenção.
Há ainda situações em que é o próprio vínculo que precisa de ser cuidado: a forma como humano e animal se relacionam, os lugares que ocupam, os limites, as ausências, os medos ou o peso emocional colocado nessa relação.
Seja qual for o ponto de partida — tu, o teu animal ou a relação entre ambos — procuro compreender o ser inteiro e o sistema onde a sua vida acontece.
Integro o corpo, as emoções, o comportamento, a história, os vínculos e o ambiente nas suas dimensões emocional, sistémica e espiritual.
Sem procurar culpados.
Sem interpretações precipitadas.
Sem reduzir o animal a um mensageiro nem o humano à causa do que lhe acontece.
Foi deste olhar que nasceu a Harmonia Multiespécie e o meu método de trabalho: uma forma própria de unir a estrutura da Topografia, a experiência com humanos e animais e a leitura emocional e sistémica das relações.
O meu trabalho não faz diagnósticos nem substitui o acompanhamento veterinário, médico, psicológico ou comportamental. Complementa o cuidado e ajuda a trazer compreensão, clareza e novas possibilidades de mudança.
Uma visão que ganhou forma
Deste percurso nasceu também o livro Animais que Curam o Invisível e o trabalho dedicado ao Peso Invisível de Salvar.
Porque aquilo que acontece numa família também pode acontecer numa associação, numa equipa ou numa rede de proteção animal: há animais a precisar de ajuda, mas há também humanos exaustos, sobrecarregados e com dificuldade em colocar limites.
Acredito que cuidar de quem cuida também é proteção animal. E que não podemos salvar animais sacrificando humanos.
Aquilo em que acredito
Amo o território, as pessoas e os animais.
Acredito que nenhum ser existe isolado. Somos também feitos dos lugares que habitamos, das relações que construímos e das histórias às quais pertencemos.
Mas pertencer não significa carregar tudo.
Um animal pode ser profundamente amado sem precisar de preencher ausências, aliviar dores ou ocupar um lugar que não é seu.
E um humano pode cuidar com entrega sem se abandonar, sem se perder na culpa e sem ultrapassar os seus próprios limites.
Porque o amor, por si só, nem sempre chega. Também precisa de consciência, estrutura e responsabilidade.
É isso que procuro trazer ao meu trabalho:
menos culpa, menos confusão e menos peso invisível.
Mais clareza, presença e consciência na forma como nos relacionamos, amamos, cuidamos e protegemos.
Por onde começar
Talvez tenhas chegado até aqui porque há algo em ti, no teu animal ou na relação entre ambos que está a pedir um olhar diferente.
Pode ser uma dificuldade emocional, um padrão que se repete, um sintoma, uma mudança de comportamento ou apenas a sensação de que alguma coisa já não está no lugar — mesmo que ainda não consigas compreender o quê.
Não precisas de chegar com respostas.
Podemos começar por observar o território onde tudo acontece: a história, o corpo, as emoções, os vínculos, o ambiente e o lugar que cada um ocupa.
Não apenas o que se manifesta à primeira vista.
Mas o ser inteiro e o sistema ao qual pertence.
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